Thursday, July 8, 2010

Desmame Ideal

Mais um belíssimo texto escrito pela psicóloga Flávia Penido para o Blog 'Roda Bebedubem' !


1 week old and breast-feeding perfected
Originally uploaded by ocadotony


'
Para mim amamentar é um imenso prazer. Eu adoro essa conexão, essa relação de interdependência que se cria entre nós. E na hora de mudar essa relação tem muitas questões a serem levadas em conta. O desmame ideal... eu andei os últimos meses me perguntando como é o desmame ideal...'

Leia o
artigo na íntegra e se delicie !



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Thursday, June 24, 2010

Parto Normal vs. Cesárea (parte 1): a magnitude do problema

Escrito por Dra. Melania Amorim, e originalmente postado no website Guia do Bebê.

"Ao longo das últimas décadas, as taxas de cesárea têm se elevado em todo o mundo, chegando a atingir taxas superiores a 50% em alguns países da América Latina (1). Esta elevação tem sido vista com preocupação por muitos profissionais de saúde e organizações internacionais incluindo a Organização Mundial de Saúde, uma vez que cesarianas desnecessárias podem se associar a riscos maternos e perinatais (1).

A cesariana bem indicada tem efeitos benéficos documentados e representa em nossos dias um procedimento relativamente fácil e seguro, uma vez que estão disponíveis técnicas seguras de antissepsia e anestesia, além do acesso amplo ao uso de antibióticos e transfusões de sangue. Todos esses avanços culminaram em popularização da operação cesariana nos países desenvolvidos a partir da primeira metade do século XX, resultando inicialmente em significativa redução das complicações relacionadas com o parto, bem como em declínio importante da mortalidade materna e neonatal (2).


Verifica-se uma ampla variação regional entre as taxas de cesariana, com as menores taxas nos países pobres, especialmente no continente africano. Embora as taxas ideais de operação cesariana não sejam bem definidas, estima-se que o risco de morte materna é muito elevado em países onde a incidência de cesariana é menor que 5%, refletindo a falta de profissionais qualificados para assistência ao parto e a falta de acesso da população aos serviços de saúde (3).

O grande problema na atualidade é que diversos estudos apontam que taxas de cesariana superiores a 15%-20% não resultam em redução das complicações e da mortalidade materna e neonatal e, ao contrário, podem estar associadas a resultados prejudiciais tanto para a mãe como para o concepto (1, 4, 5).

Nos Estados Unidos da América, a cesariana aumentou de 20,7% em 1996, para 31,8% em 2007 (6). Entretanto, nos países europeus, especialmente no Norte da Europa, que apresentam taxas mais baixas de cesariana, em torno de 20%, melhores resultados maternos e neonatais têm sido obtidos (5). Taxas muito elevadas de cesariana podem representar a causa do excesso de mortalidade materna em alguns países desenvolvidos, uma vez que, excedendo substancialmente 15%, os riscos para a saúde reprodutiva passam a superar os benefícios (5).

Em alguns países da América do Sul a frequência de cesarianas já chegou a 80% no setor privado (1), apresentando associação direta com a renda per capita do país (7). Além das condições financeiras, os determinantes das cesarianas são bastante complexos e podem incluir mitos e convicções dos médicos, bem como características sociais e culturais das pacientes (8).

No Brasil, as taxas de cesárea mantêm-se em ascensão desde a década de 70 e atualmente correspondem a 46%, porém variam bastante entre as regiões, principalmente quando se compara a assistência realizada pelo Sistema Único de Saúde com a assistência privada. A taxa de cesarianas no setor de saúde suplementar chega próximo de 80%, enquanto no Sistema Único de Saúde fica em torno de 30% (9).

Os problemas decorrentes do excesso de cesarianas foram demonstrados em diversos estudos recentemente publicados. Ultrapassando-se o limite de 15% a 20%, cesarianas estão associadas com maiores taxas de mortalidade materna, aproximadamente quatro a cinco vezes maiores que o parto vaginal (1, 4, 5, 10) e também resultam em maiores riscos de complicações e morte neonatal (1, 4, 5). Esses riscos permanecem elevados quando se controlam fatores potencialmente confundidores, como a indicação e o grau de urgência da cesariana (11-13). O que se verifica é que mesmo em gestantes saudáveis, de baixo-risco, a cesariana eletiva (realizada antes do trabalho de parto) sem indicação médica definida está associada com aumento do risco materno e neonatal (13).

Mulheres submetidas a cesarianas apresentam aumento do risco de nova cesariana, de placenta prévia e placenta acreta nas gestações seguintes, além do risco de histerectomia por cesarianas repetidas (14). Para os bebês, especialmente nas cesáreas eletivas, ocorre aumento do risco de complicações, especialmente admissão em unidade de terapia intensiva neonatal e desconforto respiratório (11-13), que podem ser reduzidas se a cesariana eletiva for realizada acima da 39ª semana de gravidez (13).

Nos próximos artigos publicados nesta coluna, discutiremos por que as taxas de cesárea são tão elevadas no Brasil. São as mulheres que pedem a cesárea ou há um abuso de indicações não-baseadas em evidências pelos obstetras? Quais os pretextos frequentemente utilizados para operação cesariana? Quais as reais indicações de cesárea?"

Melania Amorim, MD, PhD


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Wednesday, June 23, 2010

Parto Natural - Tudo tem um preço !

* originalmente postado e escrito por Kalu para o website Blog das Mamíferas


"É engraçado como as pessoas têm um conceito de que Parto Natural é modismo de elite. Existem aquelas que dizem que o governo deveria dar é condições para que todas as mulheres tivessem direito a procedimentos humanizados. Também acredito que o governo deveria investir nos pequenos agricultores, limitar a agricultura convencional, incentivar a orgânica para que todos tivessem uma alimentação saudável e livre de agrotóxicos. Em cada bairro deveria existir uma enfermeira que pretasse atendimento domiciliar ao parto, deixando para os médicos os casos médicos. Afinal, gravidez não é doença. Mas isso é utopia.Uma linda utopia, ao certo.


A questão é que as mulheres que querem parir, a grande maioria, não querem parir sem anestesia, uma das premissas do parto natural. Ainda há a idéia de que "banho quente" e "massagem" são tentativas para amenizar a dor para economizar com anestésico. Existem poucas mulheres que realmente sabem da importância de parir sem anestesia ou até mesmo, que cesárea não é artigo de luxo.

Conheço história de mulheres simples que fizeram plano de saúde só para terem o direito as cesáreas em hospitais com serviço de hotelaria. Elas estão desconectadas, na verdade, das dimensões profundas do parto. Geralmente estas mulheres cresceram ouvindo histórias de partos dolorosos, de desrespeito durante o nascimento e buscam meios de não passar por isso, no caso, caindo na complicada situação obstétrica brasileira.

Dentre as mulheres de classe média, munidas de informação e em processo de consciência de nosso modelo de nascimento e a importância da escolha de profissionais e instituições, há ainda o mito de que Parto Natural é coisa de rico, com valores exorbitantes. Parto Natural Domiciliar é, então, para as milionárias, como a Gisele.

Realmente os médicos humanizados cobram mais por seu atendimento. E não há outra forma. Eles não podem contar com uma agenda organizada e o número de gestantes que vão parir naquele mês. Afinal, quantas mulheres realmente acham que investir em um Parto Natural é necessário? Eles também não operarão 15 mulheres em uma tarde, nas segundas e sextas, preferencialmente, levando 300 reais por cirurgia. Esses profissionais ficarão a disposição por várias horas e, algumas vezes, dias, prestando um atendimento digno as parturientes, em casa ou hospitais (neste último é mais difícil pela pressão da instituição e seus protocolos).

Eu conheço muitas histórias de mulheres que investiram em seus partos como quem realiza uma festa de casamento. Por que não é absurdo gastar mais de dezenas de mil reais para uma festa de criança, de casamento, no quartinho, no carrinho, decoração e parece ser uma afronta investir no parto e a dignidade de nascer?

Dentro das limitações financeiras, há também possibilidades. Por que realmente precisamos de médicos e pediatras na assistência ao parto? Claro que em alguns casos se faz necessário e é importante ter estes profissionais contatados. Admiro a luta de alguns poucos médicos-parteiros deste Brasil. Mas, a maioria dos partos pode ser assistido, com qualidade, por enfermeiras obstetras e doulas. Essa é uma possibilidade sem riscos e financeiramente muito mais acessível. Certamente dirão: mas é perigoso. Estatisticamente é mais arriscado morrer de acidente de carro a caminho do hospital do que em um parto natural domiciliar assistido por enfermeiras obstetras.

Em caso de limitações financeiras severas, pode-se optar por Casas de Parto. Uma excelente opção de nascimento humanizado. Quem não quer abrir mão do plano de saúde e assistência hospitalar, existem poucos médicos vaginalistas com restrições bastante grandes diante do evento do nascimento do ponto de vista da humanização. Neste caso a presença de uma doula se faz quase que fundamental para uma tentativa de cuidado com a parturiente, nunca se esquecendo das próprias limitações relativas a pediatria nestas instituições.

Posso dizer que optei por um parto natural sem assistência médica e o valor de mil reais, dividido, foi o maior investimento da minha vida. Aqui em Belo Horizonte não existem médicos ou pediatras que atendam partos domiciliares. Até chegar a esta construção foi muita desconstrução de medos e receios, meus e de meu companheiro, até me empoderar suficientemente para que tivesse a certeza de que minhas escolhas eram benéficas e seguras para mim e meu filho.

E no fim descobri que a única coisa que algumas mulheres precisam para parir é serem deixadas em paz, em ambientes conhecidos, sem serem vigiadas, monitoradas, tocadas, assim como todas as mamíferas de outras espécies."

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Wednesday, June 16, 2010

Columnist of Guia do bebê in Portuguese

Oh yeah !!! If you wanna read something good on GUIA DO BEBÊ in Portuguese take a look:

by Melânia Amorim - birth-water and home birth;

by Andréia Mortensen - the nature of baby's sleep.


It's a very good article !

Originally from http://mamaecintia.blogspot.com/2010/05/colunistas-do-guia-do-bebe.html

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Thursday, February 25, 2010

Palavras de uma Dra que atualiza-se para isso

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

"Hoje abro uma exceção e em vez de um texto meu posto um da Dra Melania Amorim, obstetra que voltou recentemente de um período de seis meses na OMS. Ela, que trabalha com gestantes de alto-risco e sabe perfeitamente bem quando e como deve ser feita uma indicação de cesariana, traz as informações pertinentes, baseadas em evidências, para dar fim às nababescas matérias brasileiras sobre "os riscos do parto domiciliar". Desde o anúncio do parto domiciliar da modelo Gisele Bündchen que a mídia brasileira vem entrevistando profissionais que insistem em falar dos riscos do PD em relação à assistência hospitalar.

Com vocês as evidências e opinem, por favor, sobre o que é e onde está o achismo porque a Dra aí não acha nada, ela tem certeza, ela traz números de quem não somente estudou para isso, mas ATUALIZA-SE sobre isso.

Leia mais:
fonte: publicado pela primeira vez em http://buenaleche-buenaleche.blogspot.com/2010/02/palavras-de-uma-dra-que-atualiza-se.html


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Sunday, February 21, 2010

"Greve? "

GREVE?
por Flávia Penido

http://mamiferas.blogspot.com/2010/02/greve.html

"Raizes e Asas é a missão que nos convém dar aos filhos."


Divirta-se com o ótimo artigo desta linda doula!

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Friday, July 17, 2009

Maternidade e Paternidade

Por Adriana Tanese Nogueira
9 de Novembro de 2004


"A maternidade está se tornando sempre mais uma escolha consciente das mulheres. Devido à grande responsabilidade, trabalho braçal, investimento emocional que ela implica, este fato deve ser considerado um avanço indiscutível da civilização. Escolher ser mãe produz uma qualidade de maternidade diferente. Contrariamente aos clichês sentimentais sobre a maternidade, vida de mãe é dura, trabalhosa e desgastante. Somente quem sabe passar por isso e assumir essa carga pode provar as delícias que a maternidade reserva, a beleza de ver um/a filho/a crescer, se desenvolver, brotar e florescer, a satisfação de saber que se tem contribuído para isso. Somente quem assume responsabilidades sabe da gratificação que dá o desafio vencido.

Antigamente se acreditava que as mulheres nasciam sabendo ser mães e que o amor materno era inato. Esta idéia foi desmentida por inúmeras experiências de mulheres e filhos. O amor materno, como todo amor, é algo que se constrói. Nem todas as mulheres sentem de imediato todo o amor que se espera delas (e se a maternidade não foi escolhida, como poderão amar de verdade?). A maternidade exige tanto da gente que não se pode entrar nela impunemente sem sofrer transformações e estas serão mais bem vindas quando escolhidas e não impostas.

Toda relação de amor implica num grande investimento de tempo, de emoções, sentimentos, pensamentos. Cada mulher deverá então descobrir seu jeito de ser mãe: isso se aprende. A maternidade nos põe cara a cara com nossas idealizações e nos permite realizar uma síntese entre aquilo que desejamos e aquilo que podemos, por isso nos faz mais maduras e seguras. Entretanto é preciso que as mulheres tenham esse espaço de desenvolvimento e de (auto)descoberta. A maternidade pode ser uma nova etapa de crescimento ou um afundar-se em antigas mazelas não resolvidas.

Os pais, por sua vez, estão cada vez mais se aproximando do universo da paternidade visto por um novo ângulo: não mais o pai que só trabalha, distante e inexpressivo ou amedrontador, mas um pai amoroso, firme e compreensivo. Para ele também a paternidade está se tornando cada dia mais uma escolha consciente, uma experiência de crescimento a ser escolhida e exercitada como autodescoberta.

Apesar do mundo do mercado exigir tanto de mulheres e de homens, a qualidade do futuro humano vai depender de como saberemos fazer nascer, criar e cuidar de nossos filhos. Resgatar o parto como evento das mulheres, do casal e das famílias leva conseqüentemente a tirar a maternidade e a paternidade das amarras de estereótipos que aprisionam mulheres e homens a papeis sócias e psicológicos pré-concebidos, estanques e estéreis. É preciso coragem, informação e.. por que não? alegria!

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Thursday, July 16, 2009

O parto e a Montanha Russa

Tem gente que acha loucura sentir dor para parir.

Muitas coisas na vida são mais loucas e as pessoas fazem. E sem que haja bem estar algum em jogo.

Pense no seu parto como se fosse um passeio de montanha russa. Essa foi a melhor metafora que encontrei!

Imagine a sua gestação como uma daquelas filas enormes em dia de excursão de escola no Hopi Hari. No verão. Você ali esperando aquela fila se deslocado devagar... muito devagar. Você cansada, os pés doendo. Você vê gente com medo, apreensiva. Gente empolgada que descreve como vai ser para quem nunca andou. E você ali. Sem saber o que esperar. Você também escuta alguns: você é louca! Andar nisso aí??? Nunca!!! Você não viu aquela montanha russa lá em Ximbiquinha do Sudoeste que quebrou e matou todo mundo? E o pior foram os que ficaram mutilados pro resto da vida!

Você faz ouvido mouco e continua ali. Avançando devagarinho. Não tem pra onde ir, é tarde pra pular fora, as grades que separam a fila são altas, só dá pra seguir em frente.

Aí você vê quem está saindo, gente meio tonta, com uma expressão que você não entende, cambaleando, passando mal. E você pensa: onde é que eu fui me meter?
Quando você está chegando perto o cansaço está maior, você tem que ficar encostada quase o tempo todo. Ai, não chega nunca. Pra melhorar no finalzinho ainda tem uma baita escada pra subir na plataforma de embarque. Bem que podia ter uma escadazinha rolante aqui...

Você chega na ultima parte da fila. De repente parece que toda aquela morosidade foi embora. A fila anda muito mais rápido agora. Ou será que você é quem acha isso porque a hora de embarcar está se aproximando?

Subir as escadas exige um esforço extra. Parece que seu peso aumentou uns quinze quilos. Você não sabe se é o calor, o tempo de pé, ou se foi aquele combo gigante de hamburguer fritas e balde de refrigerante que estão pesando.

Mas você sobe, um degrau de cada vez. E o topo vai se aproximando.

É quando você avista: tem uma saída de emergência lá em cima. Saída estratégica pela esquerda. Acho que é nessa que eu vou! Mas aí você pensa. Já vim até aqui... e se for tudo o que dizem mesmo? Como é que eu vou saber?

Que o destino decida então: vou jogar uma moeda. Se der cara eu vou. Cara! Melhor de três então. Cara de novo. Ai, ai...

Continua avançando. Ah, se aquela mocinha desmilinguida embarcar, eu vou também. Se ela consegue eu também. Ela embarca.

Ok, acho que vou. a não ser é claro que chova. Se não for totalmente seguro não vou. E eu acho que estou vendo uma nuvenzinha lá longe. Se o carrinho que vier for vermelho também não! Vermelho me dá um azar! E eu não vou arriscar.

Sua vez está chegando, você já vai chegar na plataforma. Uma moça amarela bem na sua frente, sai correndo pela saída de emergência. Você se estica e consegue enxergá-la lá embaixo, na saída da lojinha... tem alguma coisa na mão, mas o olhar parece meio distante.

Eu vou! Não quero ficar imaginando como teria sido.

Chega a sua vez. O coração sobe na boca. O fôlego fica suspenso alguns instantes. Mas você respira fundo e sobe no carrinho. E pensa: ainda bem que não era um vermelho!
A viagem começa devagarinho. Tec tec tec. O carrinho vai subindo devagar. Tranquilo. Não é tudo aquilo! Que povo medroso! Dá até pra tirar a mão. Ainda bem que não desisti!

A brisa no rosto. A paisagem tão linda. Ainda bem que fui forte!

Sobe, sobe, sobe. Puxa, mas que alto... dá uma vertigem de leve...

De repente você se vê no final da subida. C******, que altura, ai, eu vou morrer. Me deixa descer, me deixa sair daqui. F***** da P*** daquela professora que yoga que disse que eu não ia me arrepender. Se estivesse aqui agora, eu matava!!!
Será que aquela doula ia fazer muita diferença segurando aqui a minha mão??? Bando de louca... ah, eu mato se eu sair viva daqui!

E a minha prima, aquela V*** que me convenceu a vir. Vai ser legal, você vai ver, você vai querer ir de novo. Ai, eu mato, eu mato. Cadê ela? Porque não está aqui? Duvido que quando ela andou foi nessa tão alta, aposto que foi na menor!!!

E vem a descida. O looping, uma subidinha, curva, mais curva, outra curva. Você já não está vendo nada direito, está meio tonta, parece meio fora de si. Tem mais gente gritando, ou será que é você mesma? Está doendo tudo, esse bate bate no carrinho vai doer ainda mais amanhã. Vai parecer que fui atropelada... Você nem sabe mais se está de ponta cabeça. Dá medo de olhar. Você espia, fecha o olho de novo. Nào quero nem ver. Não vou olhar. Se eu olhar é pior!

Vai chegando no final. O carrinho desacelera. Você está meio abobada, Grogue. Alguem ajuda a descer. Você nem vê quem é. Podia ser o Brad Pitt e você não ia nem notar. Seu cabelo está parecendo uma piaçava depois da faxina, mas você esqueceu de prendê-lo. E agora nem lembra mais que tem cabelo. Mas tem alguma coisa diferente. Algo a mais em você. Vim, vi e venci. Sou praticamente um Julio Cesar!
Suas pernas cambaleiam um pouco, mas você anda. A brisa bate e aos poucos você se recobra. Levanta a cabeça e sorri.

Era só isso? Porque tive tanto medo?

Vou pra fila de novo! Dessa vez vou tentar abrir o olho e levantar os braços!

Quem já andou de montanha russa sabe do que estou falando. Quem passou por um trabalho de parto também.

E você, já andou de montanha russa?

Katia Barga, mora em São Paulo, Brazil, é instrutora de yoga e mãe da Sarah, de 1 ano e 3 meses.
http://sarahpipoca.blogspot.com/

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